amor sem medo

Compilação dos meus poemas, alguns publicados no Eco do Funchal e na III Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea (Edições Orpheu). Não estão por ordem cronológica. Estavam divididos em vários livros, por temas que compreendiam amor, filosofia de vida e análise do mundo. Salvo os que fiz para serem musicados, sempre escrevi para mim. Muitos dos que os inspiraram, nem o souberam. Daí o seu intimismo. Hoje, acho que descrevem emoções universais. Direitos de autor reservados.

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Localização: Funchal, Madeira (Madeira Island), Portugal

múltiplas facetas

16 dezembro 2006

Culpa-se o mar

Nem só de mar se faz a distância.
Muitas vezes ela nasce da importância
que não se dá a quem vive perto de nós.
Do medo de dar um passo e descobrir
que há alguém que vale a pena conhecer.
Culpa-se o mar
por se ter medo de enfrentar essa verdade.
Culpa-se o mar,
mas, na realidade,
que culpa tem ele da cobardia
de dar um passo e descobrir que, afinal, havia
um doce abraço à nossa espera,
um carinho, um sonho, uma quimera
que poderia ter acalentado nossa vida?
Passamos ao lado da sorte
sem dela nos darmos conta.
Vive-se a vida, desdenhando a morte,
quando, na realidade, morremos
todas as vezes que nos fechamos em nós,
sem dar a outrem a oportunidade
de fazer ouvir a sua voz.
E, se o amor surge noutro canto do mundo,
chora-se o impossível,
diz-se que o mar é intransponível;
deitam-se as culpas para o mar profundo!